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Eira XXIX : Santa Maria de Castrelo

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  Santa Maria de Castrelo * Pinheirales da ribeira, que perfumades as vinhas, na paz das augas do encoro, à espera duma bonança, que estoupe coa primavera. Santa Maria de Castrelo, num privilegiado outeiro bicas as augas do Minho, apertando a Sam Paio pola man de Ventosela. Nos outeiros, castinheiros, nos teus vales, abidueiros, tés salgueiros entras hortas, onde cómprem os galheiros para rodrigar as gáveas. Polo mes de Marzo, as brisas, chegaram coa nai dos ventos e polo mes de Abril, as augas, bordaram coa cheia de flores as ermidas de Castrelo.  🌟 Moradelha editora

Eira XXVIII : In saecula saeculorum

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  In saecula saeculorum * Polos séculos dos séculos correm meninhos polas airas, agora erma de trigos, sem espigas centeias, sem malha algunha pra bater. Sem chancos nem lama, sem carros de vacas, sem prensa do augardenteiro nem fumegar do bagazo. Nom há lume nim pota na adega da aira, nem homes á conversa ao quente da espera do espírito nascente. Nem nenos parmados olhando no faiado a serpentinha sem fim, por ver se já pinga. Há hoje cem anos que duos gémeos nasceram no cruceiro de Santomé, filhos da costureira e de Manoel Monea. 🌟 Santo Tomé, 24 de Janeiro de 2022 Moradelha editora

Eira XXVII : Eira de gelo

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  Eira de gelo * Numha fogueira de meigos, feita numha eira de gelo, dançavam quatro morcegos, em noite de pleno luar. Pintou-se a Lua vermelha, cos reflexos daquel lume. Ardia nel roupa velha, as penas e as amarguras. Derreteu a geada aira, formou um burato de lava e os orelhudos voarom quando mil demos queimarom. Encheu-se o poço de estrelas, nascendo uma Deusa delas. Roupa branca, cara branca e olhos rojos ardentes. E resplandeceu a aira como um Universo enteiro. A Lua baixou do ceo para pousar-se na Deusa. 🌟 Moradelha editora

Eira XXVI : Terra azeda

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  Terra azeda * A minha terra é azeda e o meu coraçom amargo, e tenho o peito fervendo cumhos sonhos esquecidos. Terra cos dentes queimados de quando a aravam as vacas, que dabam leite sudado, de tanto turrar do carro. É cheia de campos ermos e de caminhos com silvas. Já no há quem acaroe o seu rebentado alento. Nom há quem lhe bique as flores das beiras dos seus valados. Nom há quem a modo a pentee, nim qem por ela se canse. A nossa terra está espida, sem as flores de carvalha, nom tem herdades de milho nim tem pericas pacendo. Já ninguem lava no rio, onde nom se dá chegado. Já ninguem vai cortar tojos, pois escusa cama o gando. A minha terra é azeda  polo suor dos seus labregos, que agardunharom-lhe os eidos, pra nom vivir na miséria. Chancos fundidos na lama, turando por uma canga, rodava um carro e o gando, cuma agilhada de mando. 🌟 Moradelha editora

Eira XXIV : Douche uma rosa

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  Douche uma rosa Turra do fio co pensamento pecha os teus olhos cheira o momento Turra do fio mete-te dentro do meu coraçom da-me contento Turra o meu fio bico teus beiços viajo contigo no firmamento Douche um tesouro colhe-o co vento som teu amigo teu filamento Quando te deixo arde-me o peito som teu abrigo quero-te muito Se nom te vejo vivo com medo quando che falo por dentro tremo Douche uma rosa roja fermosa é a minha alma é a minha vida 🌟 Moradelha editora

Eira XXIII : Sossego

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  Sossego da Lua Coa minha Lua eu vivo em sossego, coa sua luz minha vida flutua. Ela é contente, eu feliz labrego, que sigue os seus ciclos a beira tua. É minha mareia que o medo anula, se ela brilha, eu sinto-me lúcido. Ao chiscar-me um olho, eu canto de rula, renova-me as ánsias, sinto-me espido. Quando lhe vejo o primeiro sorriso, sossega o meu espírito que medra e sobe a minha estima de improviso. Ensina-me a querer o que diviso, sento-me a olha-la dende uma pedra e rouba-me o coraçom sem prévio aviso. 🌟 Moradelha editora

Eira XXII : Meus olhos

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  Meus olhos reclamam-te 1 Os meus olhinhos tristes, eles sonham que dormem ao carom do teu peito, sintindo o teu coraçom. 2 Eles sonham que sintem o teu doce suspirar, um perfumado aire nas pechadas pálpebras. 3 Correr em pesca tua, pidem-me os meus olhos. Molham-me noite e dia, a tua face estranhando. 4 Co seu chorar acedo e ruivos rabeando, rifam comigo sempre e nom me querem nem ver. 5 Protestam e berram-me, pra que faga o esforço, de bulir a tua beira e eles poidam brilhar. 6 De nom morrer coa pena, meus olhos reclamam-me, que a vida nom é vida,  se nom vem à tua face. 7 Nom entendem as razons que o meu juizo lhes manda, som terquinhos luzeiros, querem a sua estrelinha. 8 Querem vivir no ceo onda sua rainha e brilhar noite e dia, sonham que som estrelas. 9 Ver coas suas duas meninhas o reflexo da Lua e sentir-se importantes, estando à beira tua. 10 Querem seu alimento, a tua bebida querem, o seu melhor sustento é a tua vida terem. 11 Aos meus olhos digo-lhes - nom podo mi...