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Eira XLV : Labrego ilustrado

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  Labrego ilustrado * Um condutor de gando com carro e reboque, endereitador de regos i experto em estrumes. Coordinador das colheitas, labrego autodidata. Com duas mans de ferro e um peito de pedra. Uns pés de lameiro e chancos de madeira. Dum pobre património, protagonista da miséria. De pensamento profundo, niilista orgulhoso. Diplomado em gandaria e mestre em cheirar flores. Guia turístico no rural é nosso labrego ilustrado, que chora com Rosalia e ri coas monadas do gato. O que gasta sombrilha ainda que nom chova e chubasqueiro de palha, se os paxaros nom cantam. Quem lé a Castelao e sonha coma Curros. ☆ Moradelha editora

Eira XLIV : A sementeira

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  A sementeira * Seus dous dentes de fame, mordem a terra ázeda. Bocados de enxebre sacho som sulcos da sementeira. Botam as mans nos fondos regos umas miguinhas de esterco, maila sombra dum lombo e um anaco de pataca. Enterra-se a alma duma planta de jeito seco i enrugado, para que lhe nasçam as flores e germine a vida de novo. Sendo um ciclo interminável  que há entre a terra e o ceo, entro que nasce e o que morre, entre a fame e o alimento. Novos germens que ham de furar a terra em busca de luz e pregando pola choiva para poder medrar feliz. Fazer feliz ao labrego que no tempo da colheita vaia sua adega enchendo pra passar um novo inverno. ☆ Moradelha editora

Eira XLIII : Buxos

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  Buxos * Arredor daquel pátio, nosso avó plantara uma duzia de buxos, que agora eu decotava. A el gostava-lhe ve-los direitinhos e alinhados e a mim coronava-me seu sempiterno verde. ☆ Moradelha editora

Eira XLII : O Minho

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  O Minho Ao passar por Ourense vai caladinho * Nom viches como dança o Minho, que en cadanseu giro de compasso, um pai fai um bico celestial de amor puro ao seu filho. Nom vés que cos olhinhos pechados, cheiraches um jasmim e tragaches o seu néctar. Que nom sintes que Deus deuche uma força que já nom te deixará mais nunca. Nom vés que Deus faiche um bico en cada giro do teu corpo, en cada muda do compasso. Non ves que Deus faiche um bico coma se foras seu filho, amado e complacente Minho. ☆ Moradelha editora

Eira XLI : O velho Xan

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  O velho Xan * Um pau secote,  um pitelo enxebre. Garabato de tojo ainda com espinhos, cravados na raiz da face rugada. Ía caminhando polo monte do Pecado, buscando consolaçom pra sua pena calada, devagar, passo e memória, recordando a dura vida dum velho penitente. ☆ Moradelha editora

Eira XL : Bébedo de ler

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  Bébedo de ler * Xoan deitara-se bébedo de augardente de ervas. Entranto lia poesia, ía chiscando na copa. Cada página que lia, botava um chisco dela e já nom lhe acorda o que leu, nim a quem. Erguera-se maçado de tam grande tunda, numha noite longa de literatura. O vinho, um bem de Deus, ou isso é o que dim, mas bota a perder a muitas ánimas nel. Augardente espiritosa, que colga cavalos no nosso pescoço, ao bebe-la demais. Xoan quijo viver sempre feito um tarambaina, indo de festa em festa, sem sequer dar uma trégua. Ir de troula em troula todo o fim de semana, fazer vida noturna, aproveitar bem o tempo. Chegar logo a velho feito um caldo de verzas ou uma papa milha, case melhor nom chegar. Leva-lo como se poida, se se dá chegado. Entre chisca e chisco, cum pouco de leitura. 🌟 Moradelha editora

Eira XXXIX : Xan coa coroça

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  Xan coa coroça * Seco el e seca a coroça, que punha sempre de inverno para a choiva mailo frio. El moi secote coa fame, o abrigo dum seco enxebre e seca sua carapucha. Uma escangalhada imagem, uma corda milenária dum bacalhau aforcado. 🌟 Moradelha editora